Um ofício, uma devoção – de volta às origens

 

Da fotografia ao jornalismo - e vice-versa

 

Da fotografia ao jornalismo: eis o caminho que percorri no início da trajetória profissional. Esse caminho me levou da devoção à convicção, sem jamais ter deixado de fotografar ou perdido o olhar para a fotografia.

 

Fotografar permite enxergar o mundo além do clique, sem uma câmera na mão, como realmente é. Talvez como gostaria que fosse ou deveria ser.

 

Fotografar é um momento mágico que congela a visão romântica do fato, que possibilita uma leitura particular e pontual de tudo e de todos, do belo e do cruel, do óbvio e do inusitado, da verdade e até mesmo da sua ausência.

 

“Uma imagem vale mais que mil palavras”, disse Confúcio. Ao longo desses quarenta anos como jornalista, percebi que, ao contrário do que profetizou o filósofo chinês, de cada imagem registrada, na mente ou fotografando, foi possível retirar milhares de palavras – milhões, certamente.

 

Após décadas dedicadas ao jornalismo político e investigativo, tomo uma decisão que, em processo de maturação há cinco anos, não surpreendeu os mais próximos: percorrer o caminho contrário. Seguir na direção que possibilite reencontrar minha gênese profissional. Uma positiva "regressão profissional", mesmo que paradoxal pareça.

 

Esse caminho fará com que retorne inteiro, de corpo e alma, à fotografia, sem jamais deixar de escrever. A convicção será mestre-sala da viagem de volta à devoção, ao ofício primeiro.

 

Ucho Haddad